A BLITZ foi uma das bandas mais divertidas do rock brasileiro e foi também, de quebra, uma das precursoras do rock nacional.
Tinha Evandro Mesquita (guitarra e voz), Fernanda Abreu (backing vocal), Marcia Bulcão (backing vocal), Ricardo Barreto (guitarra), Antônio Pedro Fortuna (baixo), William “Billy” Forghieri (teclados) e Lobão, aquele mesmo, depois substituído por Juba (bateria).
Em 1982, com o primeiro compacto denominado “Você Não Soube Me Amar”, alcançou um sucesso estrondoso, logo seguido pelo álbum “As Aventuras da Blitz”, alçando a banda à condição de fenômeno de massa.
Em 1984 a Rede Globo produziu o musical “BLITZ conta o Gênio do Mal” – Oswaldo Loureiro (era o Kid Babalu, o tal Gênio do Mal) e Patricya Travassos (que era Rapsódia Blue, a comparsa de Kid Babalu). Nesse musical foram executadas algumas músicas dos primeiros dois discos da banda. A banda emplacou vários sucessos como “Beth frigida”, “Mais uma de amor”, “A dois passos do paraiso” e teve também algumas músicas censuradas.
Dois anos após o lançamento do terceiro LP — “BLITZ 3″, de 1984 —, a banda se desfez, voltando a se reunir ocasionalmente para shows ou eventos. Com um rock leve, letras bem-humoradas e performance teatral no palco, a BLITZ tocou no Rock In Rio de 1985.
Ouça aqui – sem crianças por perto – uma das músicas censuradas: “Cruel cruel esquizofrenético blues”.
Oh esse é um papo meu
Esse é um papo meu com uma mina da mesma idade que eu
Só que ela envelheceu
Um dia eu perguntei pra ela: ô, mina, você ainda tem um brilho (brilho…)
eu disse um brilho nos olhos
Você ainda tá ligada,
ligada nos dias de ontem,
quando tudo era divino, divino maravilhoso
Agora conte me sobre o seu esposo
Sentado numa sala atapetada,
com ar condicionado em frente a televisão
Que sua mãe coitada, ainda paga a prestação
Ela lhe deu quando você se formou
Ela lhe deu quando você se casou
Ela lhe deu quando você engravidou
(E agora é mãe…)
Mãe de um loiro lindo casal levadíssimo.
Mas você não sabe e também não entende
Que esse vazio idiota que te consome
E some com a tua paz
Que se foi como aquela empregada radical
que você mandou embora numa cena feia
depois da ceia na noite de Natal
Só porque ela pegou no peru do seu marido, (peru de Natal…)
Você ficou com o coração ferido,
sacou o lance num relance
quando passou pela cozinha
Não, não vá dizer que a culpa é minha
Meu Deus como você foi
Ah meu Deus como você foi
Eu disse meu Deus como você foi
(Cruel cruel), esquizofrenético blues,
(Cruel cruel), esquizofrenético blues,
(Não, não vá…). Não, não vá botar a culpa no destino,
por ter casado com um cretino industrial
Apenas para dar uma satisfação, a sociedade
Pois na verdade eras parada, num surfista boçal
Não agora não dá mais, ah puta que pariu
Meu Deus como você foi,
Eu disse meu Deus como você foi,
Cruel cruel, cruel cruel, cruel cruel, cruel cruel, cruel cruel
(Tirururu…., Tirururu…., )
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